- Marcio Ferreira
- 8 de nov. de 2019
- 3 min de leitura
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A Bienal do Livro de Contagem, prevista para acontecer entre esta sexta-feira (8) e domingo (10), com atrações de renome no universo literário – entre elas as escritoras Conceição Evaristo e Scholastique Mukasonga –, está interditada pelo Corpo de Bombeiros. Uma nova vistoria está marcada para o início da tarde desta sexta e, mesmo que autorizada a realização do evento, toda a programação prevista para parte do dia poderá estar perdida. Por sua vez, se o embargo continuar, o prejuízo à organização da bienal, criada por entidades privadas com parceria da Prefeitura de Contagem, pode chegar a R$ 300 mil.
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Os responsáveis pela curadoria e organização da Bienal do Livro publicaram em suas redes sociais uma nota para esclarecer o que teria ocasionado a interdição. De acordo com eles, há uma semana e meia, o curador, Rafael Mansur, foi convocado para uma reunião emergencial com toda a equipe responsável pelo evento, mas sem a presença de membros do Corpo de Bombeiros.
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“Fui avisado por pessoas da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude, que trabalha conosco na bienal, a respeito da reunião. Chegando lá, encontrei representantes da Guarda Municipal, da Defesa Civil, da Polícia Militar… Só não tinha do Corpo de Bombeiros. O pessoal lá na reunião me disse que eu não precisaria submeter o projeto aos bombeiros. Independente da afirmação deles, eu deveria ter ido atrás disso. Mas como falaram que não precisava, não fui”, explica Mansur.
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No entanto, segundo ele, na terça-feira (5), o Corpo de Bombeiros procurou a organização do evento para solicitar algumas modificações, com vistas a garantir a segurança dos visitantes da bienal. “Nós nos dividimos com a Prefeitura de Contagem para fazer as alterações solicitadas. Uma delas é que a gente instalasse um corrimão em uma tenda da prefeitura que já existe na Praça da Jabuticaba há sete meses e funciona como palco de eventos a cada 15 dias. Bom, eles pediram, nós tivemos que construir. A prefeitura ficou com outras questões mais específicas, como os banheiros químicos e ambulância. Eles conseguiram tudo, mas com muito atraso. Os banheiros tinham que ter chegado hoje (sexta-feira) às 7h, mas chegaram às 9h”.
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Assim, um militar do Corpo de Bombeiros vistoriou o evento na manhã desta sexta-feira e decidiu pelo embargo, uma vez que outras modificações deveriam ter sido feitas, segundo ele. Toda a programação da manhã do evento, principalmente voltada para escolas, precisou ser cancelada.
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“O tenente me disse que, por exemplo, se alguma criança ou alguém se escondesse embaixo de uma das partes da estrutura, que é inclusive da prefeitura, eu ia ser detido. Nós tínhamos escolas agendadas e uma equipe treinada para recebê-las e cuidar das crianças. Tivemos, enfim, que cortar todas as áreas de acesso, não conseguimos realizar as atividades”, comenta Mansur.
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De acordo com o curador, as modificações solicitadas nesta manhã já estão quase finalizadas e, agora, organização aguarda uma nova vistoria do Corpo de Bombeiros para decidir se o evento acontecerá ou não.
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“Já estamos com as alterações quase prontas. Mas já tomamos muito prejuízo com o cancelamento das atrações previstas. Se for autorizada, a primeira palestra será apenas no fim da tarde com a Anielle Franco, irmã da Marielle – vereadora carioca executada no ano passado. Muitas atrações vieram até aqui e precisaram ir embora, não sabemos se conseguiremos encaixá-las no resto da programação, estamos sem verba. Não sabemos o que falar para a Scholastique, ela é uma escritora, sobrevivente do genocídio de Ruanda, mora na França e é a sua primeira vez em Minas Gerais”, desabafa.
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Veja o que diz a prefeitura
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Procurada pela reportagem de O TEMPO, a Prefeitura de Contagem garantiu que atendeu todas as medidas necessárias para realização do evento – entre elas a liberação da praça, a instalação de banheiros químicos e a presença de uma ambulância e profissionais de saúde.
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Além disso, o órgão municipal detalhou que “se orgulha pela cidade sediar a III Bienal do livro, evento de reconhecida relevância”. Quanto os pedidos de alterações na estrutura, a prefeitura explicou que “na última quarta-feira, 6 de novembro de 2019, o Corpo de Bombeiros também solicitou série de providências à organização do evento, que não foram atendidas”.
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Veja o que diz o Corpo de Bombeiros
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À reportagem de O TEMPO, a corporação apontou que “as informações técnicas sobre o evento, enviadas pelos organizadores, e a realidade do local não estavam compatíveis”. Os bombeiros explicam que a estrutura do evento se apresentava com uma classificação de risco superior e “exige a implementação de medidas de segurança contra incêndio e pânico para adequá-la à legislação vigente”.
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