- Marcio Ferreira
- 20 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
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Voluntários participaram do programa
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Caldeirão do Huck com o único objetivo de adquirir veículos para melhorar atendimento a ocorrências de incêndio.
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A falta de infraestrutura para atender ocorrências de incêndio motivou os gaúchos Adilson da Silva Lopes e Delaide Machado, bombeiros voluntários em Butiá, a se inscreverem no quadro The Wall, do Caldeirão do Huck. Eles foram selecionados e conseguiram angariar R$ 232, 554 mil com um único objetivo: investir na corporação.
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O programa foi ao ar neste sábado (18), mas foi gravado entre setembro e outubro do ano passado. O prêmio, depositado em dezembro, permitiu que os bombeiros comprassem uma caminhonete de resgate, um carro para funções administrativas e o bem mais precioso: o caminhão de combate a incêndios. Eles também adquiriram uma estrutura metálica para construir uma nova sede em nome da corporação — hoje, estão baseados em uma casa de madeira que lhes foi cedida.
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Fundada em 2010 e formada por cerca de 30 integrantes, todos eles voluntários, a corporação de bombeiros em Butiá atende também a Minas do Leão, a 10 quilômetros da cidade — juntos, os dois municípios somam cerca de R$ 30 mil habitantes.
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Os voluntários atuavam com apenas uma ambulância e um caminhão velho. Toda vez que ocorria um incêndio, precisavam acionar uma empresa que emprestava um caminhão-pipa, o que dificultava a agilidade no atendimento.
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— A gente não tem incentivo do poder público. Nossa verba é só do pedágio — reforça Adilson.
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Aos 41 anos, ele trabalha como higienizador do Hospital Fêmina, em Porto Alegre. Viajou em outubro ao Rio de Janeiro ao lado dos também bombeiros voluntários Delaide, 45 anos, e Henrique Rupp, 31 anos, para gravar o The Wall. O quadro funciona da seguinte forma: os jogadores precisam responder a perguntas para poder manipular bolas em um grande painel dividido por valores. Quanto mais perguntas corretas, mais chances têm de ganhar uma quantia alta.
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— Eles não querem dinheiro para eles. Eles vieram aqui para conseguir recursos para o trabalho voluntário que fazem em Butiá — admirou-se Luciano Huck.
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O caminhão de combate a incêndios que os bombeiros voluntários de Butiá compraram com o valor obtido no “The Wall”
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Adilson foi responsável pelas respostas, enquanto Delaide organizou as bolas para jogar no painel. Henrique ficou na plateia torcendo pelos colegas. O apoio emocional foi necessário: quando Adilson errava as perguntas, um valor era subtraído da quantia conquistada.
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Delaide sofria diante da plateia, chegando a se ajoelhar no chão e a espremer uma mão na outra. Quando o parceiro acertava, vibrava:
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— A gente veio para incendiar o programa, não para apagar incêndio — comemorava a voluntária.
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Cidade guardou segredo por sete meses
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Havia uma condição no contrato do programa: que os vencedores mantivessem o prêmio em segredo até o programa ir ao ar, o que ocorreu somente sete meses após a gravação. Em dezembro, com o dinheiro na conta e a necessidade de comprar os veículos, Adilson entrou em contato com a direção do Caldeirão: teria de ser honesto com os moradores da cidade, informando de que jeito uma corporação tão precária havia conseguido dinheiro para um caminhão de combate, por exemplo.
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O esclarecimento foi autorizado e Butiá tomou conhecimento da vitória dos bombeiros voluntários. Para o presidente da corporação, Joel Maraschin, os novos equipamentos fazem com que os integrantes fiquem com o “coração a mil”.
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— Mudou nossa história. Vivíamos apenas de doações, pedágios solidários, sem apoio do poder público. Demos um salto — reconheceu Maraschin.
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Embora tenham comprado uma estrutura metálica que funcionará para abrigar a nova sede, os bombeiros aguardam que a prefeitura de Butiá ceda um terreno onde possam erguer a base. Adquirido em um leilão, o caminhão de combate ainda não está a postos: passa por reparos para que seja utilizado.
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De acordo com Adilson, os R$ 232,544 mil que conquistou para a corporação foram o segundo maior prêmio na trajetória do The Wall. Duas dentistas são as responsáveis pelo maior prêmio: elas ganharam R$ 426.646 que serão revertidos em um projeto social. A façanha do bombeiro voluntário demandou mais intuição do que conhecimento.
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— Chutei tudo — reconheceu o gaúcho no programa.
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- Incêndios
