- Marcio Ferreira
- 21 de ago. de 2019
- 3 min de leitura
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Brasil enfrenta pior onda de incêndios em sete anos; silêncio do presidente colocou assunto “E a Amazônia” entre os mais comentados desta terça no Twitter.
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São Paulo – Por volta das 15h de segunda-feira (19), o céu escureceu e o dia virou noite em várias regiões do Estado de São Paulo. O cenário incomum resultou de uma combinação igualmente rara: a chegada de uma frente fria carregada de umidade no litoral paulista e a espessa fumaça da pior série de incêndios florestais já registrados no Brasil em sete anos.
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Há duas semanas, florestas e matas ardem em chamas nos estados do Norte, se estendendo pelo Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, incluindo áreas da Amazônia e do Pantanal. O incêndios já atingiram a tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai, consumindo mais de 20 mil hectares de vegetação.
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Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de incêndio florestal aumentou 82{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, foram registrados 71.497 focos de incêndios, antes os 39.194 focos registrados no mesmo período anterior. A última grande onda é de 2016, com 66.622 focos de queimadas entre essas datas.
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A Amazônia é o bioma mais afetado, com 51,9{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} dos casos, seguido do Cerrado, com 30,7{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} dos registros de queimada. Preocupados com a situação, muitos brasileiros se unem em coro nas redes sociais para cobrar do governo federal uma resposta à crise. Ativo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro ainda não emitiu nenhuma mensagem sobre os incêndios. O silêncio do presidente levou o assunto “E a Amazônia” ao topo dos tópicos mais comentados desta terça-feira no Twitter Brasil.
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O período seco característico do trimestre de inverno (junho-julho-agosto) contribuiu para as queimadas. Segundo a empresa de meteorologia MetSul, nas áreas em que os focos de fogo mais cresceram, nos últimos três meses, a chuva ficou abaixo da média histórica e a temperatura muito acima. Mas as causas naturais não são suficientes para explicar a magnitude dos incêndios neste ano.
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Dados do sistema de alertas em tempo real Deter, divulgados recentemente pelo Inpe, mostram um aumento de mais de 40{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} nos alertas de desmatamento entre agosto de 2019 e o último mês de julho. O mês passado registrou o pior número de alertas de perda de floresta para um mês na série histórica, referentes a2.254,9 km². No mesmo mês em 2018, o índice foi de 596,6 km², um aumento de 278{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7}.
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Especialistas atribuem a perda crescente de floresta ao discurso “agressivo” do governo Bolsonaro em reação às questões ambientais e de clima. E, não raro, as queimadas têm origem intencional ligadas ao desmatamento. No dia 10 de agosto, fazendeiros e grileiros no sudoeste do Pará cumpriram a promessa de fazer um “dia de fogo” e deliberadamente queimaram uma área vegetada da região de Novo Progresso. Resultado? Um aumento de 300{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} nos focos de incêndio em comparação com o dia anterior, pelos registros do Inpe.
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Conforme a Folha, o “dia do fogo” havia sido revelado no último dia 5 por um jornal local. Segundo a publicação, os produtores se sentiam “amparados pelas palavras do presidente” e, por isso, coordenaram a queima de pasto e áreas em processo de desmate para uma mesma data.
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Mais do que discursos que sinalizam para um estado de impunidade, os cortes em programas importantes ligados ao meio ambiente acabam minando o poder de resposta dos órgãos públicos aos desastres. Em maio, além de praticamente zerar o orçamento para implementar políticas sobre mudanças climáticas no Brasil, o governo federal bloqueou 38,4{0068141a64ff95f4d3b165bce55b23e85254ea2beb487767102ff70ccb0615b7} do orçamento para prevenção e controle de incêndios florestais, montante equivalente a R$ 17,5 milhões.
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